Hoje, nossa equipe foi jantar, por acaso, numa churrascaria chamada Picanha de Ouro, que estava mais para Picanha de Borracha. A primeira coisa que nos intrigou foi o cardápio, que carinhosamente apelidamos, à moda paulista, de “Paraíba”. Trata-se de um garçom, que recitou as várias (negrito cômico) opções de suco, refrigerante e cerveja ruim disponíveis.
Ao irmos ao buffet, que mais parecia refeitório comunitário no Natal, pegamos algo que pensávamos ser uma Paella, afinal, era arroz, era amarelo e estava numa paellera , mas nos decepcionamos ao descobrir que não passava de arroz com frango e caldo knorr*. O ravioli também estava péssimo, tanto na aparência quanto no gosto, assim como quase tudo. O resto da mesa de frios, simplesmente evitamos, por razões de segurança. A carne “bem-passada” estava mergulhada no sangue, já a mal passada nos remeteu a algum programa do National Geographic, onde éramos uma matilha de chacais comendo restos em decomposição. Valeu pela experiência imaginativa, ao menos. Algumas carnes até estavam bem-preparadas (a nível de São Paulo, o que não quer dizer muito), e possivelmente estariam comestíveis, se fossem carnes de qualidade, e se os garçons ao menos soubessem cortá-las da maneira correta.
A única coisa que eles poderiam servir bem seria o refrigerante, mas ao pedir um copo com limão e gelo, do limão mesmo só recebemos a casca.

Qualidade da imagem reflete a do restaurante.
Para fechar a noite com chave-de-ouro, ao deixar cair um talher e solicitar outro, o garçom, no maior jeito “lekzuera”, diz “eu não, quem deixou cair foi você”. Por se tratar do atendimento de São Paulo, inicialmente pensamos que ele estava falando sério, mas era apenas brincadeira (ques garçon brincalhams). Ao pagar a conta, nada como ser constrangido pela caixa, que praticamente exige os 10% de “taxa de serviço” sob a ameaça da humilhação. Nada mais justo, uma vez que em dado momento fomos obrigados, pelo bom-senso, a ensinar o garçom a cortar a carne no fio correto. Muito para o desagrado do mesmo, que achou que estávamos fazendo da maneira errada.
Recomendo a todos que procuram apreciar uma boa carne, com um bom serviço de atendimento e uma boa carta de vinhos, que vá ao Rio Grande ou ao Uruguay, paulista só sabe servir mesmo é pastel.